Nicho Sucessional - Roteiro no Ecovirtual
Normalmente a competição entre as espécies é interpretada como uma resposta tudo ou nada (acontece ou não acontece) instantânea. Entretanto, observando a natureza perceberemos que plantas com alta capacidade de colonização geralmente apresentam altas taxas metabólicas (respiração, fotossíntese e alocação de tecido reprodutivo). Essas altas taxas possibilitam que as plantas cresçam e se reproduzam mais rapidamente, o que pode conferir a elas uma vantagem adicional na interação competitiva. Imagine uma floresta, onde uma clareira foi aberta por uma árvore caída e que ambas espécies, a melhor competidora e a melhor dispersora, cheguem ao mesmo tempo. Nessa situação, imaginar que a melhor competidora irá excluir a outra imediatamente não parece muito razoável, simplesmente porque não há ainda a limitação de recurso. Por outro lado, a espécie que tiver maior taxa de crescimento poderá se reproduzir antes que a limitação de recurso ocorra e ela seja excluída por competição.
Modelo de Pacala e Rees
Esse período, antes da redução de recurso no ambiente, cria um nicho efêmero que foi chamado por Pacala e Rees (1998) de nicho de sucessão. Esses autores desenvolveram um modelo simples para testar suas ideias. Para começar eles estabeleceram cinco estados possíveis no sistema:
- Vago: nenhuma das espécies
- Inicial: ocupado apenas pelas espécies da sucessão inicial
- Sensível: ocupado pela espécie tardia, mas suscetível a invasão da inicial pois o recurso ainda é abundante
- Misto: ocupado por ambas espécies, a caminho da exclusão competitiva
- Resistente: ocupado apenas pela tardia e resistente a invasão
Dado esses estados o processo de sucessão teria algumas possibilidades de trajetórias:
- VAGO → INICIAL → MISTO → RESISTENTE
- VAGO → SENSÍVEL → MISTO → RESISTENTE
- VAGO → SENSÍVEL → RESISTENTE
Vamos criar nosso modelo. Para simplificar, ao invés de modelarmos cada uma das espécies, vamos modelar o estado e suas transições de uma forma similar que modelamos os estados dos indivíduos em uma população: lembra dos modelos matriciais de Leslie e Leftockvich da primeira aula?! Veja o esquema abaixo para entender as transições de estado:
Nesse modelo temos quatro parâmetros c, α, m, γ :
- c: taxa de colonização base
- α (a): taxa colonização relativa à espécie de sucessão inicial
- m: taxa de mortalidade ou distúrbio
- γ (g) : taxa de exclusão competitiva
Com esses quatro parâmetros é possível modelar a variação da proporção de estados ao longo do tempo, com a expressão que aparecem na transição da figura. Linhas cheias indicam expressão de aumento na proporção e linhas interrompidas diminuições. Por exemplo, a variação no estado SENSÍVEL é dada por:
$$ (dS)/dt = [c(S + R + M)]V - [αc(M+E)]S - gS - mS $$
Usando o EcoVirtual
Para prosseguir você deve ter o ambiente R com os pacotes Rcmdr e Ecovirtual instalados e carregados. Se você não tem e não sabe como ter, consulte a página de Instalação.
Caso já tenha o R e pacotes instalados
Carregue o pacote principal RcmdrPlugin.EcoVirtual pelo menu do R Pacotes > Carregar Pacotes, ou pela linha de comando com o código:
library("RcmdrPlugin.EcoVirtual")
Vamos agora usar uma função para modelar a dinâmica de sucessão desse modelo. Abra o menu do EcoVirtual no Rcmdr: EcoVirtual>Multi species> Niche regeneration… A seguinte janela de menu se abrirá:
Segue abaixo a descrição dos parâmetros do modelo:
| opção | parâmetro | definição |
|---|---|---|
| data set | objeto no R | guarda os resultados |
| Simulation Arena Condition | Parâmetros básicos da simulação | |
| Maximum time | tmax | Número de iterações da simulação |
| columns | cl | número de colunas de habitat da paisagem |
| rows | rw | número de linhas de habitat da paisagem |
| Initial Stages Proportions | Proporção inicial dos estádios das manchas | |
| Early Stage | er | proporção de manchas ocupadas no inicio pela sp2 |
| Susceptive | sc | proporção inicial com a sp1 que ainda pode ser colonizada tb por sp2 |
| Mixed | mx | proporção inicial com ambas espécies |
| Resistante | rs | proporção inicial com a sp1 que não pode mais ser colonizada pela sp2 |
| Colonization rates | Parâmetros de colonização | |
| Better competitor | c1 | coeficiente de colonização da sp1 |
| Poor competitor | c2 | coeficiente de colonização da sp2 |
| General Parameters | Parâmetros gerais | |
| Competitive exclusion | ec | probabilidade de transição do estágio Sc e Mx para o Rs |
| Disturbance | dst | proporção de manchas de todos os estádios que fica vaga |
Testando com uma taxa de exclusão competitiva alta e baixo distúrbio.
tmax=50, rw=100, cl=100, c1=0.2, c2=0.8, ec=0.5, dst=0.04, er=0.08, sc=0.02, mx=0, rs=0,
Vamos agora simular alguns cenários.
- diminuição da exclusão competitiva para 10% (ec=0.1)
- mantenha a ec em 0.1 e aumente o distúrbio para 10% (dst=0.1)
- agora coloque ambas as espécies com mesma taxa de colonização máxima (c1=0.4, c2=0.4),
Interprete os cenários acima associando a trajetória do sistema a:
- sucessão ecológica
- nicho sucessional
- distúrbio intermediário
- competição
Encaminhe os gráficos e sua interpretação ao monitor
Perguntas
- Produza um texto curto interpretando os cenários acima de modo integrado (não há necessidade de explicar separadamente cada um), associando suas trajetórias a:
- sucessão ecológica
- nicho sucessional
- distúrbio intermediário
- competição
- Modifique o esquema que aparece no inicio deste roteiro de forma a produzir um cenários que contenha apenas a demanda conflitante (tradeoff) competição x colonização. Explique.
- A coexistência é possível se consideramos apenas o efeito do nicho sucessional? Use uma simulação para justificar sua resposta.
Para saber mais
- Pacala, S. & M. Rees. 1998. Models suggesting field experiments to test two hypotheses explaining successional diversity. The American Naturalist 152(2): 729:737.
- Stevens, M.H.H. (2009) A primer in ecology with R. New York, Springer. capítulo 9
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